

O novo salário mÃnimo, agora em R$ 1.621, começou a valer
desde o dia 1º. O valor é maior que o piso anterior, de R$ 1.518, e já impacta
diretamente a renda de milhões de brasileiros.
O reajuste foi de 6,79%, acima da inflação do perÃodo, mas
ainda abaixo do que estava previsto no Orçamento de 2026. A diferença aconteceu
porque a inflação usada no cálculo veio menor do que o esperado.
Com a mudança, não sobe apenas o salário de quem recebe o
mÃnimo. BenefÃcios como aposentadorias, abonos e o seguro-desemprego também
ficam maiores, com pagamento reajustado a partir do inÃcio de fevereiro.
O que muda
O salário mÃnimo é o valor mais baixo que um trabalhador
formal pode receber no Brasil. Ele vale tanto para trabalhadores urbanos quanto
rurais e serve como base para vários benefÃcios sociais.
Quando o mÃnimo aumenta, automaticamente sobem valores
ligados a ele, como aposentadorias do INSS, o BenefÃcio de Prestação Continuada
(BPC), o abono salarial e o seguro-desemprego.
Na prática, quem recebe um salário mÃnimo ou múltiplos dele
já sente a diferença no bolso neste começo de ano.
Por que o valor ficou em R$ 1.621
Se fosse reajustado apenas pela inflação, o salário mÃnimo
iria para cerca de R$ 1.582. Esse cálculo usa o INPC, que acumulou 4,18% em 12
meses até novembro.
A polÃtica do governo Lula, porém, voltou a permitir ganho
real, ou seja, aumento acima da inflação. A regra considera também o
crescimento do PIB de dois anos antes.
O PIB de 2024 cresceu 3,4%, mas uma lei aprovada no fim do
ano passado limitou esse ganho real a 2,5%, por causa do arcabouço fiscal. Com
isso, o valor final chegou aos R$ 1.621.
Valor ficou abaixo do esperado
O novo mÃnimo ficou abaixo do previsto no Orçamento, que
apontava R$ 1.631. Também ficou menor que a estimativa divulgada pelo governo
no fim de novembro, de R$ 1.627.
A principal razão foi a inflação menor do que a esperada.
Como o Ãndice pesa bastante na conta, qualquer variação já muda o resultado
final.
Mesmo assim, o reajuste garante ganho acima da inflação e
mantém a polÃtica de valorização do salário mÃnimo.
Referência para quase 60 milhões de pessoas
Segundo o Dieese, o salário mÃnimo serve de referência
direta para 59,9 milhões de pessoas no Brasil.
Além de trabalhadores que recebem exatamente o piso, entram
nessa conta aposentadorias, pensões e benefÃcios sociais atrelados ao valor
mÃnimo.
O impacto vai além disso. O aumento ajuda a puxar o salário
médio e melhora o poder de compra, especialmente entre quem ganha menos.
Impacto nas contas do governo
O reajuste do salário mÃnimo também pesa nas contas
públicas. Isso acontece porque vários benefÃcios não podem ser pagos abaixo do
valor do piso.
De acordo com cálculos do governo, cada R$ 1 de aumento no
salário mÃnimo gera uma despesa de cerca de R$ 420 milhões em 2026.
Como o reajuste foi de R$ 103, o impacto estimado chega a R$
43,2 bilhões nas despesas obrigatórias, reduzindo o espaço para outros gastos
do governo federal.