Publicada ontem, Quinta-feira, 16/04/2026
ENTREVISTA
Escala 6x1: jornada é “abusiva” e afeta saúde mental, diz sindicato em Teresina
Secretário-geral do Sindcom aponta impactos na rotina e defende redução para modelo 5x2

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O debate sobre a escala de trabalho 6x1 ganhou força em Teresina após posicionamento do Sindicato dos Comerciários. Em entrevista nesta quarta-feira (15) ao programa do apresentador Silas Freire, na Silas TV, o secretário-geral da entidade, Marcelino Moura, classificou a jornada atual como “abusiva” e destacou impactos na saúde mental e na qualidade de vida dos trabalhadores.

Segundo ele, a realidade enfrentada por comerciários na capital envolve desgaste físico e psicológico, agravado por fatores estruturais da cidade.

“A classe trabalhadora vem sendo penalizada há algum tempo, para não dizer explorada. Hoje, se você andar dentro do comércio de Teresina, vai encontrar trabalhadores com síndrome de pânico, ansiedade e estresse”, afirmou.

Impacto começa antes do expediente

De acordo com o dirigente, as dificuldades começam ainda no deslocamento até o trabalho.

“Uma capital que não tem transporte público adequado. Se o trabalhador chega 10 minutos atrasado, já recebe advertência. Isso vai afetando o psicológico”, disse.

Ele também chamou atenção para reflexos na vida familiar, especialmente na relação com os filhos. “Nossas crianças estão sofrendo porque não temos tempo suficiente para estar com elas, na escola, no lazer. Isso mexe na saúde e na ansiedade”, afirmou.

Redução da jornada entra no centro do debate

Para o sindicato, a redução da jornada é necessária para melhorar as condições de vida dos trabalhadores. “Essa jornada é abusiva. A classe trabalhadora precisa dessa redução para ter qualidade de vida e para o país se desenvolver”, defendeu.

Marcelino Moura também rebateu argumentos de que mudanças no modelo poderiam causar prejuízos econômicos.

“Quando criaram o 13º salário, disseram que ia quebrar o país. Quando reduziram de 48 para 44 horas, disseram a mesma coisa. E não quebrou”, afirmou.

Escala 5x2 é defendida como alternativa

O dirigente afirmou que a proposta de mudança não envolve o fechamento do comércio aos fins de semana, mas sim a reorganização da jornada. “Não se fala em fechar sábado e domingo. O que se fala é redução de jornada. Quem trabalha no sábado pode folgar durante a semana”, explicou.

Ele também destacou que a mudança pode gerar novos postos de trabalho. “Tem que ter contratação. O país se desenvolve com novos empregos”, disse.

Formação profissional também entra na pauta

Durante a entrevista, o secretário-geral também apontou a necessidade de ampliar o acesso à qualificação profissional. “O sistema S tem vários serviços, mas precisa abrir mais vagas. Hoje a gente procura curso e não tem vaga”, disse. Ele reforçou ainda o papel central dos trabalhadores na economia. “Quem gera renda é o trabalhador, não tenho dúvida disso”, concluiu.