

A escala de trabalho 6x1, em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso, está presente em diferentes setores da economia brasileira. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), cerca de 14,8 milhões de trabalhadores, o equivalente a 33,2% dos ocupados no país, estão submetidos a esse modelo.
Entre os setores analisados, o comércio aparece entre os mais afetados: 42,2% dos trabalhadores da área estão submetidos à escala 6x1. O índice fica atrás do transporte aéreo, com 53,2%, dos serviços de alojamento, com 52%, e dos serviços de alimentação, com 47,1%.
Os dados ganham destaque em meio à mobilização de centrais sindicais e movimentos de trabalhadores pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial.
A presença da escala 6x1 é maior em atividades que funcionam durante praticamente todos os dias da semana e possuem horários ampliados.
Segundo o levantamento do Dieese, a proporção de trabalhadores submetidos ao modelo chega a:
O cenário faz com que a discussão tenha impacto direto sobre trabalhadores de lojas, supermercados e outros estabelecimentos comerciais que funcionam em diferentes dias e horários.
O levantamento também mostra que a discussão sobre a jornada de trabalho vai além da escala utilizada.
Atualmente, a Constituição Federal estabelece jornada máxima de 44 horas semanais para os trabalhadores, observadas as regras aplicáveis a cada categoria e contrato.
De acordo com os dados apresentados pelo Dieese, 64% dos trabalhadores formais têm jornada superior a 40 horas semanais. Entre os trabalhadores celetistas, esse percentual chega a aproximadamente 75%.
O levantamento aponta ainda que cerca de 20 milhões de pessoas trabalham acima de 44 horas semanais, com jornadas que podem chegar a 45, 48 horas ou mais.
A discussão está relacionada à PEC 221/2019, que tramita no Senado após ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados.
A proposta prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além de estabelecer dois dias de repouso semanal remunerado, o que na prática representa uma mudança no modelo tradicional da escala 6x1.
A matéria foi aprovada pelos deputados por ampla maioria e chegou ao Senado no fim de maio. A Casa ainda precisa avançar na análise da proposta antes de uma eventual votação em Plenário.
Centrais sindicais e entidades representantes dos trabalhadores vêm pressionando os senadores para que a discussão avance.
Entre os principais argumentos apresentados pelos defensores da redução da jornada está o impacto sobre a qualidade de vida dos trabalhadores.
A mudança poderia ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar, lazer, estudos e cuidados pessoais, além de reduzir o tempo dedicado ao trabalho na rotina semanal.
O deslocamento também representa uma parcela importante do tempo dos trabalhadores. Segundo os dados citados pelo Dieese:
Na prática, para milhões de pessoas, o tempo relacionado ao trabalho inclui não apenas a jornada dentro da empresa, mas também horas gastas diariamente no deslocamento entre casa e trabalho.
Enquanto a PEC aguarda andamento no Senado, o tema continua mobilizando trabalhadores e entidades sindicais em todo o país.
A CUT e outras centrais defendem que a redução da jornada seja feita sem redução salarial e argumentam que o fim da escala 6x1 pode contribuir para melhorar as condições de vida dos trabalhadores.
No caso do comércio, setor em que 42,2% dos trabalhadores estão submetidos ao modelo, a discussão tem impacto direto sobre uma parcela significativa da categoria.
Com informações da CUT e dados do Dieese.